SEGURO PECUÁRIO TEM CRESCIMENTO EXTRAORDINÁRIO EM TRÊS ANOS

SEGURO PECUÁRIO TEM CRESCIMENTO EXTRAORDINÁRIO EM TRÊS ANOS

SEGURO PECUÁRIO TEM CRESCIMENTO EXTRAORDINÁRIO EM TRÊS ANOS

Ocrescimento do seguro pecuário no Brasil nos últimos anos impressiona. O prêmio saltou de R$ 6,3 milhões em 2019 para R$ 22,5 milhões em 2020, aumento de 256,4%. No ano seguinte, a arrecadação mais que dobrou, atingindo R$ 46,9 milhões e, em 2022, fechou em R$ 70,2 milhões. Embora bastante expressivos, esses valores nem chegam perto do potencial que o ramo tem no mercado.

 

O País tem mais cabeças de gado do que pessoas. São 224,5 milhões de animais contra 215 milhões de habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Especialistas dizem, no entanto, que menos de 1% desse rebanho é segurado no Brasil. O crescimento relevante desse produto deve-se a alguns fatores, como o maior incentivo do Governo Federal à contratação de seguros dentro do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). A iniciativa, criada na safra de 2005/2006, objetiva auxiliar o agricultor a contratar apólices para segurar sua produção, por meio de subsídio financeiro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

 

O programa abriga diversas modalidades, como seguros agrícola, aquícola, de florestas e pecuário – este último vem recebendo maior volume de recursos, o que estimula a contratação de apólices. Só em 2022, os reajustes do Governo Federal ampliaram o limite financeiro anual, permitindo que o valor passasse de R$ 24 mil para R$ 60 mil por produtor/pecuarista, com percentual máximo de 40% de subvenção ao prêmio do seguro. O novo limite vale até 2024. Para o membro da Comissão de Seguro Rural da FenSeg, Fábio Damasceno, além do aumento do incentivo a esse tipo de seguro pelo Governo Federal, o setor observou, nos últimos anos, a entrada de novos players interessados em abocanhar essa fatia de mercado. Isso acabou ajudando, segundo ele, na ampliação e na divulgação do produto entre os pecuaristas e a previsibilidade das vendas de apólices. “Os corretores têm investido na distribuição do seguro pecuário, que, na competição com o agrícola, sempre entrou no final da fila. Mas agora isso vem mudando”, explica Damasceno.

 

COBERTURAS

 

As coberturas do seguro pecuário são pensadas para proteger a vida dos animais. Podem entrar nessa cobertura bovinos, equinos, suínos, caprinos e ovinos. O produto cobre basicamente acidentes, mortes por envenenamento, insolação e ingestão de corpo estranho. Se, no passado, a maior parte dos segurados era formada por animais de elite (com genética superior e usados para reprodução), hoje o rebanho de corte ou de leite também tem uma participação expressiva no número de apólices, informa a corretora Karen Matieli, há 16 anos especializada nesse ramo de seguro.

 

“Acidentes causados pelo transporte de animais e doenças são os principais riscos e respondem pela maior parte dos sinistros”, afirma. Com o aumento do prêmio nos últimos anos, a frequência da sinistralidade também cresceu. De 2020 para 2021, o salto foi de 168,6%, chegando a R$ 8,5 milhões. Em 2022, as indenizações atingiram R$ 12,4 milhões. A precificação do seguro pecuário tem seus desafios, embora Fábio Damasceno reconheça que o procedimento tem sido aprimorado ao longo dos anos.

 

Ele diz que é comum as seguradoras se cercarem de especialistas técnicos, como veterinários e zoologistas, para entender como funciona o mercado e ter uma base atuarial mais completa para a tomada de decisões. Basicamente, a valoração tem como base a segmentação do animal por idade, raça, os mais predispostos a doenças, regiões em que os animais vivem etc. “Os seguros de rebanho são mais fáceis de valorar, já para o de animais de elite, a precificação é mais complexa. Nesse caso, usamos os leilões para orientar os preços, assim como a performance dos animais em exposições e a produção genética para o mercado”, explica Damasceno, acrescentando que há um limite máximo de valor segurado nesse ramo, que é de R$ 300 mil.

 

MATERIAL GENÉTICO

 

Os laboratórios de material genético são um caso à parte na estrutura que envolve o seguro pecuário. Esses espaços abrigam os animais por um período determinado, com o objetivo de coletar sêmens e óvulos para comercialização pelos produtores. Durante esse tempo, os animais continuam cobertos pelas apólices, diz José Alves, proprietário da J.Alves Corretora de Seguros.

 

“O seguro cobre o animal onde ele estiver, seja na fazenda, no pasto, seja nas chamadas centrais de coleta e venda de material genético. Nosso trabalho é avaliar os riscos que envolvem essa infraestrutura para precificar com mais assertividade”, informa Alves. As seguradoras costumam cobrir os riscos que envolvem o transporte do animal para os centros de reprodução e sua estadia, porém, o material genético coletado não encontra espaço no setor segurador.

 

Segundo Damasceno, a precificação torna-se complexa por conta da dificuldade de quantificar o material. “Além de ter um alto valor agregado e protocolo de tratamento muito específico, a constatação de perda é complicada de se atestar”, acrescenta. A despeito dos desafios, o representante da FenSeg acredita que o seguro pecuário ganhará cada vez mais espaço na competição com o seguro agrícola. Mas faz uma mea-culpa nesse processo. “Por anos, caímos no erro de negligenciar discussões no pecuário, mas a verdade é que esse mercado é gigante e ainda pouco explorado. Temos muito espaço para crescer com novas coberturas e produtos”, conclui.